Agosto Lilás: entenda a importância do combate à violência doméstica
O Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização dedicada ao combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Realizada durante todo o mês de agosto, a iniciativa busca informar a população sobre os diferentes tipos de violência, divulgar os direitos garantidos por lei e incentivar a denúncia de casos de agressão.
Essa campanha é uma conscientização para que toda a sociedade participe da construção de ambientes mais seguros, acolhedores e livres de violência para as mulheres. Em 2026, a campanha ganha ainda mais relevância ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais importantes do mundo na proteção às mulheres vítimas de violência.
Apesar dos avanços legais, os números mostram que esse ainda é um problema urgente. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em 2025, 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar ao longo do ano.
O dado por si só, já é preocupante, mas revela um cenário ainda mais delicado: 71% das mulheres que sofreram violência relataram que haviam crianças presentes durante as agressões, muitas delas eram filhos da vítima. A pesquisa também mostra que a violência costuma ser recorrente, quase seis em cada dez mulheres afirmaram que as agressões aconteciam havia menos de seis meses, enquanto 21% conviviam com episódios de violência há mais de um ano.
Esses números reforçam que o combate à violência doméstica também diz respeito às famílias, às crianças e a toda a sociedade.
O que é o Agosto Lilás?
Criado em referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, o Agosto Lilás tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre os direitos das mulheres, incentivar denúncias e fortalecer ações de prevenção.
A cor lilás representa a luta pela igualdade de direitos e simboliza o compromisso coletivo de construir uma sociedade mais segura para todas as mulheres. Além de campanhas educativas, o mês promove debates, palestras e ações de conscientização em instituições públicas e privadas, reforçando que o enfrentamento da violência depende da participação de toda a comunidade.
Lei Maria da Penha: um marco na proteção das mulheres
A Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, transformou o enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Ela protege mulheres que sofrem violência no ambiente doméstico, familiar ou em relações íntimas de afeto, independentemente de o agressor morar ou não na mesma residência.
Entre as principais medidas previstas estão:
- Afastamento imediato do agressor do lar;
- Proibição de qualquer contato com a vítima;
- Concessão de medidas protetivas de urgência;
- Encaminhamento da mulher e de seus dependentes para locais seguros;
- Inclusão em programas oficiais de proteção e assistência.
A lei também reconhece que a violência pode assumir diferentes formas, nem sempre deixando marcas físicas. Conheça os diferentes tipos de violência contra a mulher:

Como funciona o ciclo da violência?
Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque a violência costuma acontecer em ciclos.
Na primeira fase, ocorre o aumento da tensão, marcado por ofensas, ameaças, ciúmes excessivos e humilhações. Em seguida vem a explosão, quando acontecem as agressões físicas, verbais ou psicológicas.
Depois surge a chamada "lua de mel". O agressor pede desculpas, promete mudar e demonstra carinho temporariamente, fazendo com que a vítima acredite que a situação será diferente. Infelizmente, sem ajuda, o ciclo tende a se repetir e, muitas vezes, torna-se mais intenso.

Onde buscar ajuda?
Nenhuma mulher precisa enfrentar a violência sozinha. Em todo o Brasil existem serviços gratuitos que oferecem acolhimento, orientação e encaminhamento.
Ligue 180 para a Central de Atendimento à Mulher: funciona gratuitamente, recebendo denúncias, orientando sobre direitos e encaminhando a vítima para a rede de proteção mais próxima.
Ligue 190 para a Polícia Militar: Em situações de emergência ou quando a agressão estiver acontecendo, o 190 deve ser acionado imediatamente.
Também fazem parte da rede de apoio as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), Defensorias Públicas, Centros de Referência e serviços municipais de assistência social.
A rede de apoio pode salvar vidas
Romper uma situação de violência nem sempre é simples. Medo, dependência financeira, filhos, ameaças e isolamento fazem com que muitas mulheres permaneçam em relacionamentos abusivos por longos períodos.
Por isso, familiares, amigos, vizinhos e colegas desempenham um papel fundamental no combate à violência doméstica. Ouvir sem julgamentos, acreditar na vítima, oferecer acolhimento e orientar sobre os canais oficiais de atendimento pode representar o primeiro passo para romper o ciclo da violência.
O Agosto Lilás reforça que a informação também é uma forma de proteção. Compartilhar conhecimento, reconhecer os sinais e incentivar a denúncia são atitudes que podem salvar vidas.
Se você ou alguém que conhece está vivendo uma situação de violência, procure ajuda. Ligue 180 para orientação e acolhimento. Em casos de emergência, acione imediatamente a Polícia Militar pelo 190.